Páginas

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O sono que engana

''My Lady d'Arbanville, why do you sleep so still?
I'll wake you tomorrow
and you will be my fill, yes, you will be my fill.

My Lady d'Arbanville why does it grieve me so?
But your heart seems so silent.
Why do you breathe so low, why do you breathe so low.''

Cat Stevens- Lady D'Arbanville

Eu fiz roçar meus lábios no rosto dela e perguntei mais uma vez porque ela dormia tão imóvel. Ela continuou do mesmo jeito. Fui à cozinha preparar um café para levar-lhe à cama. Fiz de tudo, do mais variado. Levei cuidadosamente na bandeja. Chamei o nome dela bem de leve, bem baixo e suave para que ela não acordasse assustada, pois isso estragaria tudo.
Ela nem fez menção de acordar. Coloquei a bandeja em alguma superfície e fui à cama pra tentar acordá-la novamente. Sua respiração era tão baixa.
- Porque você dorme tão imóvel, querida? Porque respira tão baixo, quase sem me deixar sentir que suga, com suas narinas, o mesmo ar que eu? Isso é maldade. Deveria deixar-me ver seus movimentos inconscientes quando dorme; sua respiração profunda como um suspiro que leva a a alma num instante. Repito : isso é maldade.
Ela respondeu-me. Sim, mas sem nenhuma palavra.
Estava morta, respondeu-me com a morte.

H.Reis

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Morte e Vida Amor

Estou aqui a
Padecer
Morrer,
Não ser,
Não fazer,
Desde que vi que,
Com outra,
Você foi
Viver,
Ser,
E fazer.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ah, você

Ah, eu pensando...
Ah, eu olhando....
Ah, eu amando......
Ah, eu sentindo......
Ah, eu escrevendo......
Ah, eu voando.......
Ah, eu;
Que perigo!!!

H.Reis

domingo, 25 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Momento Delacroix


''O segredo para não ter tédio, pelo menos para mim, é ter ideias.''

Eugéne Delacroix postado por H.Reis

terça-feira, 20 de julho de 2010

Agora. Não depois.

Seja alegre e esteja satisfeito com o que tens todos os dias; e assim estarás sendo feliz.
Isso de ser feliz no futuro é desculpa dos frustrados.
É muito utópico também.

H.Reis

Comodismo

''Fale mal, mas fale.''
''Pense mal, mas pense.''
''Faça mal, mas faça.''
''Leia mal, mas leia.''
Gostas disso de fazer mal, mas fazer?
Eu ainda fico com a velha tese de que o que merece ser feito, merece ser bem feito.

H.Reis

sábado, 17 de julho de 2010

Criança é fogo

O fio dental e o mendigo

Eduardo tinha exatamente cinco anos quando comecei a ensiná-lo a usar o fio dental. Depois de qualquer refeição, lá estava eu pegando no pé do menino:
- Edu, já escovou os dentes? Não esquece do fio dental, tá?
Ele obedecia, como bom garoto que era, mas sei que não gostava da mínima tarefa. Por ele, não passava fio dental, não escovava os dentes e muito menos tomava banho; viveria só de brincar e comer (oque quisesse).
Depois de tanto ouvir eu mandá-lo passar o tal fio, ele já fazia isso sem eu pedir e se bobeasse ainda lembrava os mais velhos de fazê-lo.
- Papai, o senhor passou o fio dental?
E todos adorávamos aquelas cenas. Ríamos internamente.
Certo dia, fui fazer compras no mercadinho do Seu Jaci e levei o precoce junto. Voltando de lá, vimos um mendigo deitado ao sol num meio-fio. Passamos do lado do tal, e ele, bem gracista, abriu um sorriso enorme e debochado para nós. O homem era sujo e sua boca e dentes mais ainda. Eduardo, mesmo com nojo, retribuiu o sorriso. Chegando mais adiante de onde estava o mendigo, Eduardo olha para mim e pergunta:
- Mamãe, sabe aquele moço que riu pra gente lá atrás?
- Sei, meu bem. O que que tem?
-A senhora bem que podia ensinar ele a usar fio dental, hein?

H.Reis

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Momento Florbela


" O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade; sei lá de quê! "

(Florbela Espanca) postado por H.Reis

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Segundos passam...

Solte os cabelos;
chame o vento;
abra as mãos;
crie asas;
feche os olhos
e sinta.
A vida é agora.

H.Reis

Escrever sobre nada

Sentada à bancada da cozinha ela tomava um café quente, comia biscoitinhos variados da Casa do Alemão e lia aleatoriamente crônicas de Stanislaw Ponte Preta. A janela não se deu ao trabalho de cobrar entrada do vento que adentrava ali. E então ela pensou em fechar a janela e parar de sentir o vento das 7:00 da manhã. Desistiu da idéia. Resolveu deixar suas pernas quentes sentirem o fresco. Era um tipo de equilíbrio : a boca fria tomava o café quente, e as pernas quentes tomavam o vento frio.
Lia e ria. Tomava e engolia. Comia e sentia.
Pensava em tudo. Pensou em escrever sobre aquilo. Tudo era razão e motivo para ela escrever. A poesia estava em sua cabeça a todo momento. Nas coisas mais banais e também nas mais sérias e precisas.
Veio escrever sobre isso e agora ela colocará o ponto final e assinará esse texto.

H.Reis

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Frases Aleatórias

Porífero

Sou como uma esponja: absorvo tudo.
Amor,
Fraqueza,
Feiúra,
Beleza,
Drama,
Sabedoria.
Só não sejas falso a meu lado.
Absorverei de ti.

H.Reis

Teatro real

''Fingir é conhecer-se'' Fernando Pessoa
Quero me conhecer realmente, por inteiro.
Está decidido: Quero ser atriz!

H.Reis

sábado, 10 de julho de 2010

Newton e as frutas assassinas

A professora de História chegou na sala. Os alunos estavam inquietos e falantes, barulhentos.
Ela logo pediu silêncio e perguntou oque houvera.
-É que o professor de física acabou de sair daqui dizendo que Newton estava sentado debaixo de uma macieira e uma maçã caiu na cabeça dele. E que com isso ele descobriu a lei da gravidade; respondeu Ana.
-Tudo bem, gente. Mas me expliquem o motivo do falatório. Não entendi ainda a relação do que o professor disse com essa barulheira toda.
André se prontificou a explicar :
-É que, Dona Inês, não faz sentido esse tal de Newton ter descoberto uma coisa tão importante como a gravidade só porque uma maçã caiu na cabeça dele. Pelo amor de Deus, né?
- Então, meninos, ignoremos que aconteceu. Pode ser que seja somente uma historinha para ilustrar, entenderam? Abram o livro de História na página 154.
-Ah não.O Ari disse que aconteceu, então aconteceu; disse Romão só pra botar mais lenha na fogueira e perder mais tempo da aula de História naquela discussão.
-Eu acho que tinha que ter caído era uma jaca na cabeça desse à toa desse Newton. Cara chato. Fica descobrindo coisa difícil pra gente ter que decorar; disse Cassiano.
-Ah, por que não uma melancia bem gigante?
-Huun, eu acho muito mais legal legal mamona, pra espinhar o cara todo.
E agora a discussão sobre ter acontecido ou não o fato de cair uma maçã na cabeça do Físico não era mais interessante para aqueles alunos. Cada um queria dar uma idéia sobre oque devia ter caído da árvore e matado o pobre homem.
OBS: eles inventavam árvores que nem existiam, como a de melancia.
Dona Inês se desfez do seu plano de começar a ensinar nazismo naquele dia. Achou melhor falar que se caísse dois melões na cabeça de Newton, seria mais eficiente. Afinal, ela também odiava Física na sua época de escola.

H.Reis

terça-feira, 6 de julho de 2010

E o destino decide...

Eles haviam saído para jantar, se conhecerem melhor. Riram ,conversaram, tiraram sarro das manias do outro, enfim , se divertiram. Indentificaram-se de primeira. Era fácil sacar que dali viria algo mais sério.
Ela tinha carro, ele não. Ela, por educação ou também por outros interesses, não se sabe ainda, o ofereceu uma carona. Ele,por educação ou também por outros interesses,não se sabe ainda, aceitou.
Foram pela Avenida ouvindo música, cantando juntos, errando e rindo do que não entendiam o cantor cantar.
Chegando no portão da casa dele, ela parou o carro e sorriu. Ele, por sua vez, se sentiu obrigado a perguntar se ela queria entrar.
-E aí? Não quer entrar...tomar alguma coisa?
O silêncio pairou na atmosfera do carro quente.
Ele teve medo de ela o achar precipitado. Mas ele queria que ela entrasse. Queria tomar um vinho com ela; rir mais um pouco; dar um beijo íntimo, escondido. Não queria que ela pensasse que ele era um aproveitador; que se ela aceitasse entrar, ele pensaria mal dela. Nada disso.Ele queria amá-la sem compromisso. Com um quê de amor de carnaval. Mas queria conhecê-la por inteiro. Suas caras e trejeitos. Suas cores e fitas. Seus gostos mais íntimos. Queria começar a amá-la naquela noite, com aquela lua, naquele teto, naquele dia.
Ela, por sua vez, teve medo de responder. Se aceitasse,oque ele pensaria dela? Certamente que era uma mulher fácil demais, dessas que se encontra em qualquer esquina; daquelas que eles viram na Avenida pela qual haviam passado a alguns minutos. Mas ela queria entrar; tomar um vinho com ele; fazer ele rir mais um pouco; receber um beijo mais íntimo, nas entrelinhas. Não queria que ele pensasse que ela era qualquer uma. Nada disso. Ela queria ser amada sem compromisso. Com um quê de amor de natal. Queria se deixar ser conhecida por inteiro. Explicar suas cicatrizes e contar as histórias que imaginava quando criança. Queria ser amada por ele naquele dia, naquele teto, com aquela lua, naquela noite e queria também amá-lo.
O destino, que tem lugar cativo na vida dos amantes,também tinha oque pensar. Pensava que aqueles dois não tinham que se importar com o que um pensaria do outro se entrassem e tomassem alguma coisa. Deviam, com toda vontade e desejo que tinham, começar a se amar naquela noite. Aproveitar a juventude, o riso, a lua e a falta de compromisso.
Ela,depois de muito pensar e parar de se importar com a opinião dele, respondeu:
- Só um pouquinho, sim?
E ele,com um sorriso a responde:
-Como quiser...
E o destino,por sua vez, considera como ganha a batalha e murmura para si, já sabendo de tudo:
- ...

H.Reis

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cacos de pétalas

Flávia estava sozinha em uma mesa de um restaurante qualquer, tomando um café preto. Lembrava da briga que havia tido com César dois dias antes. Depois da briga ela não tinha mais notícias dele, e nem queria ter. A briga havia sido feia, dolorida, com pedaços de vidros sentimentais.
Na cabeça dela tudo passava como um filme mal feito. Sua mente emergia nas lembranças mas seu rosto não expressava qualquer pensamento saliente. César, apartamento, traição, indiferença, lágrimas, tapas, unhas, chão, fogo, raiva.
De repente entra no tal restaurante qualquer, César acompanhado de uma mulher estranhamente bonita. Ele vê Flávia, olha obscura e detalhadamente pra ela, sem nenhuma reação esperada.
Ela, com toda sua certeza de mulher madura retribui o olhar, mas agora com uma pitada de indiferença aguda.
Ele se sentou na mesa da frente com a tal mulher estranha, mas bonita.
Flávia não aguentaria ver aquilo por muito tempo. Chamou o garçom, pediu a conta, esperou.
E aquilo parecia uma eternidade. César fazia questão de encher sua acompanhante de beijos exagerados, tudo para Flávia ver. E o pior é que ela via e se importava muito. A conta chegou, ela pagou de nariz empinado o que César geralmente pagava. Levantou-se esguia, olhou para o caminho e o obstáculo que a esperavam. Andou alguns passos até chegar perto da mesa onde os dois provocantes estavam sentados. Chegando lá, não perdeu o ritmo e continuou andando como se estivessem sentadas ali pessoas nunca vistas por ela.
Chegou à porta do recinto, abriu-a e pisou no meio fio.
Respirou fundo. Deixou para trás o amor e uma esperança dele. Deixou para trás dois anos e a entrega. Deixou para trás um café preto e uma paixão vermelha.
Esperou pela frente um futuro melhor, mais amável e menos traiçoeiro.Sem cacos de vidros e sim com pétalas no lugar deles.
"E amanhã tem sol."(C.F.A)

H.Reis

sábado, 3 de julho de 2010

Me descrevendo em imagens

Adorei a ideia da Lia, amiga da Tassiane Américo e resolvi fazer também. Isso é só um pouquinho de mim.

Quem sou:
" Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo. "(C.L)


Oque me faz sorrir:


''Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol...''(Z.Baleiro)


Oque me faz chorar:


Minha cor é:

Hobby:



Sonho:



Melhor lembrança:

Eu e minha irmã
no jardim da vó Lenita.
Música é:


O escritor :
''Botas...as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar.'' Machado de Assis

Um filme:


Esporte:


Pecado:


Lembranças fofas da infância:





H.Reis

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Recomeçar


''Não há amor perdido, nem se fingem milagres
Não reparto o destino que me expia em saudades...
E o grito ecoa profundo;
"Quero o meu mundo!"
O assalto recomeça, o espelho fascina
Sigo encoberto, o quebranto domina...
Mas a vida desalinha!
Sepulto a ruína, ressurjo em apreço,
E de novo, recomeço.

Só quem se
arrisca a ir longe demais
descobre o quão longe se pode ir. ''

T.S Eliot (postado por H.Reis)

Vazios

Ela fumava um Vogue na varanda enquanto ele dormia pesado no quarto anexo.
Ela pensava que o amava, não tinha total certeza. A noite que passaram juntos havia sido linda, romântica, mas ela ainda estava vazia. Não sabia do que aquele vazio se compunha. Afinal, vazios não são compostos de nada, são apenas vazios.
Ele acordou, ficou na cama ainda um pouco, relembrando a noite passada, tentando reviver aqueles momentos em pensamento. Havia sido tudo perfeito para ele.
Levantou-se, foi lá fora na varanda, deu um beijo no pescoço dela e perguntou se ela havia dormido bem.
-Não dormi. Fiquei aqui fora sentindo a brisa leve e fumando uns cigarros.
-A noite toda?
-Aham. Ela respondia com indiferença, como se quisesse estar em outro lugar conversando com outra pessoa.
Ele, percebendo a frieza dela, foi lá dentro pegar um cigarro no maço que estava em cima do criado mudo. Chegou lá e só tinha a caixa, vazia. Pensou: ''ela deve ter fumado todos''.
Ficou preocupado, pois sabia que a amada só fumava quando estava passando por algum problema ou ansiedade. Resolveu não dizer ou perguntar nada.
Ela continuava lá fora, debruçada na grade que a impedia de pular daquela varanda do nono andar. Olhava os arranha-céus.
As roupas que vestira na noite anterior estavam emboladas nas dele em cima do sofá vermelho.
Quando ela notou que ele havia ido tomar banho, pensou logo em fugir ; deixar tudo aquilo pra trás e ir viver sua liberdade ou sua prisão. Viver seu vazio sem a intromissão de ninguém.
Pegou suas roupas no sofá cor de sangue, trocou-se rápido. Resolveu que nunca mais o veria.
Quis levar uma lembrança dele, pelo menos algum detalhe, nem que fosse pequeno.
Pegou o cinzeiro que eles haviam comprado em Búzios, colocou dentro da bolsa e saiu, toda amarrotada, pela porta do quarto insano. Desceu o elevador, chegou na rua, olhou pra cima e viu ele, debruçado na grade que o impedia de pular daquela varanda do nono andar. Olhava os arranha-céus. Ela voltou seus olhos para o mesmo ponto. Olhavam os arranha-céus. Não viram foi os arranha-corações. Pois esses tais ficam no vazio. No vazio de cada um. Naqueles vazios, que não são compostos de nada, são só vazios.

H.Reis

terça-feira, 22 de junho de 2010

''Quem são os animais?''

Esse texto baseia-se em um fato verídico.


Tínhamos aula de Literatura depois do intervalo. Estávamos estudando romantismo e pelo contexto da matéria, a professora resolveu passar um filme pra turma: ‘’Moulin Rouge’’. Acho que a sala toda já havia assistido antes, menos eu. Mas já que o trimestre estava no fim e não tinha mais matéria pra dar, ver o filme seria um jeito descontraído de ilustrá-la. A professora,uma das minhas preferidas e mais queridas, era linda, delicada, um doce de pessoa. Não sei se o fato de ela lecionar a matéria que eu mais gosto influenciava no meu carinho e admiração por ela. Conversávamos muito, ela sempre sorridente, tinha assunto pra tudo, era bastante culta.

Uma vez me contou que tinha um cachorro, Luan, de 10 anos. Disse que que era como um filho pra ela. Eu achava uma gracinha a relação dos dois. Ela tinha Orkut, no álbum, era provável ter mais fotos do tal cãozinho que da própria Andréa. A chamamos de Prette, é o sobrenome dela e além disso, temos outra professora Andréa , de Geografia.

Mas voltando ao dia do filme:Prette foi à nossa sala e chamou a turma para a sala de vídeo,o filme estava na última parte.Eu havia percebido que ela estava triste,abatida,sem sorrir,coisa habitual de ela fazer quando chega em sala.Comentei com a Jéssica a tristeza da professora e ela disse:

-É,também reparei.Ela deve ter brigado lá na coordenação. Ah, duvidei muito.Prette não era de brigar ou fazer confusão.Era de uma ‘’finesse’’ incrível.Nunca a vi elevar o tom de voz e ela me dá aula há um ano e meio.Quando a turma tá conversando,ela pára e diz:

- Pessoal,vamo lá.Só um minutinho aqui.Como se prestar atenção na aula fosse um favor que agente fizesse pra ela.

Então o filme rolava.Eu ,de 10 em 10 minutos olhava pra ela,que não mudava a fisionomia triste e angustiada.Eu já tava ficando preocupada.Ela fingia prestar atenção no filme,já visto umas 8 vezes por ela.Quando o filme acabou,ela foi levar agente pra sala.Eu fui andando do lado dela,não perguntei nada,só fiz algum comentário sobre o filme.Se ela quizesse me contar o motivo do abatimento,seria por ela mesma,eu não a pressionaria.No início do corredor ela diz:

-Ô,Helena,não te contei oque aconteceu.

-Oque,fessora?

-O Luan morreu ontem!

Minha cabeça rodou. O ''filho'' da fessora havia morrido ( pra que essas aspas? afinal, pra ela e o marido, ele era realmente um filho. Nutriam um amor sincero pelo animal.). Eu fiz aquela cara de espanto de sempre e disse:

-Aahhh! Fessora!! Bem que eu percebi que cê tá bem tristinha hoje. Que dó!

E ela, com aquele olhar inconsolável, disse:

-Pois é, lembra que no ano passado ele fez uma cirurgia na bexiga? Então, a infecção voltou e ele não resistiu.

Nisso agente já tava em frente á minha sala. Eu não sabia oque falar. Os olhos dela cheios d’água. Os meus já tinham enchido e transbordado ( sou sensível demais, chorona demais.).

-Que dó, fessora!

Dei um abraço de leve nela. Juro que por um momento tive medo de abraçá-la forte e ela acabar quebrando, pois estava tão frágil e sensível que isso não seria difícil.

-E como cê tá, fessora?

-Ah, eu tô arrasada. E ele era meu amigão, meu companheiro. Tinha 11 anos.

Acho que em vez de ‘’amigão’’ ela queria falar filho, mas por algum motivo não disse. Ela tinha que dar aula no 3ºano e o sinal já havia batido; desceu as escadas e eu no corrimão vendo ela descer e dizendo pra ela não ficar daquele jeito. Contei pra Jéssica oque tinha realmente acontecido. Nada de brigas ou discussões na coordenação. Era a morte do amado cachorro. Perda de um ente querido. Queridíssimo. Enquanto eu contava, minhas lágrimas brotavam involuntariamente. Jess olhava:

-Quê isso, Helena? E dava uma risadinha discreta.

Eu entendia, pois não é comum ver uma amiga sua chorando porque o cachorro da professora morreu. Mas eu chorava também por ver a tristeza da Prette; ela estava sofrendo e eu nada podia fazer para ajudar ou amenizar a dor dela. Prette nunca mais seria a mesma. Seus sorrisos literários das aulas teriam, nem que de leve, um tom de melancolia, dor, e mais: saudade. Ninguém substituiria Luan. Ela nunca mais veria os olhos doces daquele animalzinho.Uma parte dela se esvaziara.

OBS:O título é de uma crônica do Ruy Castro,da qual Andréa gosta muito.Uma ''homenagem''( com aspas,pois,quem sou eu pra fazer homenagem a Ruy Castro?)

H.Reis

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fundo do poço

Juana estava de saco cheio de tudo.Sua mãe nunca a entendia,nunca a apoiava nem se preocupava com ela.O pai vivia bêbado pelas ruas da cidade maldita.A irmã se prostituía nos becos e suas notas na faculdade iam de mal a pior.Suas amigas se afastaram de uma hora pra outra.
Conclusão:estava totalmente sozinha.
Resolveu pegar a bolsa e sair.Tentar se livrar daquele mundo insano,incompreensível e incompreendido por ela.
Já estava tarde de uma noite de quinta feira.Havia chuvido, até as poças d'água formadas pareciam ter alguma aversão a Juana.
Passavam pessoas alheias na rua.Juana desejava ser alguma delas e não passar por nenhum problema pelo qual estava passando agora.Mas não pensava na possibilidade de aquelas pessoas também terem problemas como os dela,ou até piores.
Andava sem sentido,sem rumo.Até que parou no viaduto.Lá embaixo passavam carros,caminhões,bicicletas,motos e até cachorros mendigos que podiam ser atropelados a qualquer momento.
Quis se atirar.Quis por um momento,bem longo,acabar com aquela palhaçada que estava sua vida,sua solidão,sua alma de menina que foi obrigada a virar mulher,à crescer rápido.
Pensou bem.Chorou mais ainda.Despediu-se por pensamento de sua mãe incompreensível,de seu pai alcoólatra, de sua irmã perdida,de suas amigas sumidas.
Tomara que recebessem a mensagem por telepatia.Era a última vez que se ''comunicava '' com aquela gente que fazia parte de sua vida.
Se jogou do viaduto.
Acharam seu corpo em qualquer parte do asfalto,sua bolsa,sua morte.
Pela manhã, no jornal, deram a notícia da morte da ''menina jovem ,de 20 anos,que cursava jornalismo na Universidade Federal.Tinha um futuro promissor'',foi assim que a caracterizaram para o país.
Mas o problema é que não havia juventude,graduação ou Universidade que fizesse com que a tristeza de Juana tivesse um fim mais razoável.
E se chega a uma conclusão: foi melhor morrer.
Pois de mais uma pessoa imersa na tristeza o mundo não está necessitado.

H.Reis

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Só aquilo


Hoje eu saí de casa com o objetivo de me sentir livre,leve e solta.Literalmente.Queria ver na minha sombra refletida no chão,meus cabelos voando por causa do vento que batia neles e quase os levava junto,na direção do dia.Olhei o céu, não totalmente azul, tinha nuvens espalhadas, aquela inconstância me agradava.Eu andava devagar,respirava devagar,tentando sentir cada molécula do ar que entrava pelo meu nariz.Quando saí na rua acho que até chamei a atençao,pois todo mundo estava com pressa,correndo,preocupado,moderno.E eu na minha calma,dentro do meu objetivo,passos leves,respiração profunda e cabelos ao vento, e eu não tinha também nenhum lenço ou documento.Depois de fechar de leve o portão,coisa não habitual,pois sempre o bato com força,dei de cara com uma senhora,que não devia ser tão velha,mas que na aparência era.Tinha olhos bem pequeninos e cerrados,como se quisesse se fechar totalmente pra esse nosso mundo maldoso que a fazia parecer mais velha.
Meu sorriso de Monalisa estava impresso no rosto,só uma bomba o poderia arrancar dali.
Fui andando,quer dizer,quase volitando por aí.
Chegando mais à frente avistei o velhinho simpático que queria me vender relógios em uma outra semana passada.Ela estava sentado,sem nenhum propósito numa cadeira qualquer da sorveteria.O cumprimentei,ele pegou na minha mão.Mas que mãozinha mais quentinha tinha senhor Lorenzo!Minhas mãos ,que estavam geladas,devido ao frio que fazia,agradeceram àquelas mãozinhas macias e quentes do velho senhor.E foi um cumprimento demorado.Parecia que ,com aquele aperto de mãos,ele queria pegar um pouco da minha juventude ou então me passar o mínimo que fosse de sua sabedoria.
Eu havia saído de casa um pouco mais cedo,exatamente para poder cumprir o objetivo. Livre.Leve.Solta.Senhor Lorenzo me pegou de papo:
-Quando vai comprar o relógio, menina?
Eu adoro quando as pessoas me chama de ''menina'', me sinto ainda criança.
-Pode deixar,quando meu pai me der meu próximo dinheiro,eu vou guardar só pra comprar aquele relógio!
-Ah tah.
Não me lembro em que contexto,surgiu o assunto música(ele fazia esse assunto surgir de propósito para contar suas vantagens).
-Eu ganhava dinheiro,menina! Comprei até uma casa em Montes Claros.
-Annh,mas agora arte não dá dinheiro não, seu Lorenzo.
-Ah,mas naquela época dava.Eu que trabalhei com Orlando Silva,( e ele falava outros tantos nomes que eu nunca tinha ouvido) e tocava bateria e sax!
Eu ouvia aquilo com a máxima atenção possível,mesmo que aquilo não fosse verdade,eu queria que ele se deliciasse naquelas memórias e que houvesse alguém que desse importância e acreditasse.Aquele alguém era eu.
Me toquei que tinha horário para chegar no colégio.Me despedi com muito custo de seu Lorenzo,pois ele sempre puxava outro assunto e eu não o cortava de forma alguma.
Virei a esquina e andei rápido.Percebi que o velho senhor tinha me atrapalhado no objetivo,eu agora tinha que correr,tinha que pensar no relógio,tinha que respirar rápido e andar pesado.
Lá na frente,já com pressa e medo de perder a aula,vinha uma moça com uns celulares na mão,divertindo-se com uma amiga ao lado.
Perguntei as horas.
-3 e 50 e ... 4 horas!
-Obrigada ,moça.
Mas que droga,ela não podia nem me aliviar um pouquinho?Podia muito bem dizer : São 3 e 58,59.Mas não,disse 4 horas,só pra me apavorar mais e eu ter que correr também mais.
Acho que as pessoas deveriam ser mais compreensivas.
Cheguei na sala de aula,a professora já tinha começado a aula de química.
Caí na realidade.
Presa.Pressa.Dependência.Frio.
Não tinha mais mãos quentes,macias e musicais de seu Lorenzo ou o olhar pequeno da senhora aparentemente velha.
Tinha horários a cumprir,tabelas para decorar e provas a fazer.
E mais nada de leveza.
Mais nada de liberdade.
Era só aquilo.
Decepção.

H.Reis

Depois de ler um livro


Ai gente,acabei de acabar um livro.
Tá fresquinho na minha cebeça ainda,resolvi vir aqui falar pra vocês.
O livro chama ''Depois daquela viagem'' e conta a história verídica de uma adolescente,em 1987,que pega AIDS na primeira vez dela,com 16 anos.Tipo o ó, né?Pois então,e ainda tava numa época em que a AIDS era coisa nova,sinônimo de morte,gay,sexo anal e irresponsabilidade.
Mas Valéria tenta viver normalmente e acaba descobrindo o preconceito latente das pessoas em relação à essa doença.Achei lindo o livro,de verdade.
Val é cronista,escreve pra revistas teens e vive muito bem.
Parabéns,Val,continue assim,fazendo todo mundo abrir os olhos para o preconceito!
E créditos e agradecimentos a minha amiga Jess,que me incentivou a ler o livro e de quebra,me emprestou.Obrigada, amiga.

H.Reis

sábado, 5 de junho de 2010

Post que imita ao da autora problemática.

Olá,gente! Eu achei que a autobibliografia da Let ficou bem mais interessante e tem coisas legais,por isso resolvi fazer outra pra mim com os mesmos aspectos que ela pôs na dela.Pra ficar mais democrático.Algumas coisas já tem no meu primeiro texto,mas não tem problema repeti-las!Ou tem?
Ah,lá vai!

Nome:Helena Angélica Silva Reis
Apelidos: Lelé(meu pai),Lelis,raramente(minha mãe).As outras pessoas normais me chama só de Helena mesmo,eu prefiro.
Dia e mês de nascimento: Quatro de novembro.
Signo: Ao contrário da Amica,eu acredito muito em astrologia.Escorpião.
Olhos: Castanhos bem escuros,quase pretos.Iguais ao da personagem do texto Ela.
Cabelos: Pretíssimos.
Pele: Cor de chocolate.
Profissão: Estudante e blogueira(hehe)
Hobbies: Ler,escrever,conversar no MSN,ver televisão,ah sei lá!
Cor preferida: De acordo com o meu humor.Parece um pouco com a Let,no momento é azul .
Música:MPB, Pop, Bossa Nova...ah gosto de tudo um pouco,mas não me venha com pagode,pelamordedeus!
Amigo: Todos!
Amiga: Todas!
Comida preferida: Strogonoff da minha mãe, com o arroz branco da minha mãe e alface de qualquer sacolão decente.
Doce: Brigadeiro.Não, não existem mais gostosos!
Adora: Sentir frio,água com gás,chocolate,ler e mais algumas coisas que não me lembro agora.
Odeia: Espirrar!
Perfume: Não sou muito de perfume, gosto mais do cheiro natural de cada pessoa.
Livro: ''Memórias Póstumas de Brás Cubas'' Machado de Assis
Filme: ''Sociedade dos Poetas Mortos''
Escritor: Fernando Sabino,Franz Kafka,Fernando Pessoa,são tantos...
Cantor(a): Marisa Monte
Banda: Morcheeba
Ator/Atriz: Lima Duarte e Lília Cabral.
Sonhos: São volúveis mas ainda os tenho.São tantos.
Roupa: Ah, a que cair melhor em mim.
Animal: Não sou assim apaixonada por animais.Era apaixonada por minha cachorrinha Lessie,mas minha mãe deu ela pra uma velha colecionadora de animais domésticos(tinha gato até dentro da pia da casa dela) ,ela fugiu e nunca mais apareceu.
Coração: Ainda o tenho.Ainda.
Corpo: Falso-magro ou nada-magro?
Orgulho: Tenho um pouco,mas muito pouco.
Dinheiro: Ainda dependo muito dele,dou valor excessivo mas não penso só nisso.
Vida: Do meu jeito.Fica boa quando eu quero.Sempre sorrindo.
Tempo: Voando,principalmente quando estou fazendo o que gosto.
Acredita: Não acredito em quase nada. ''Tienes que dudar de todo'' (René Descartes).Lembro sempre do Atílio falando isso.
Duvida: Dos olhares oblíquos.
Tristeza: Ser dura demais às vezes.Ou ser mole demais outras vezes.Nunca dá certo a exceção.Mas também nunca cheguei num meio termo.
Gostoso: Ir tomar sol na varandinha.Conversar com a minha avó Tonha e rir das coisas que ela fala.
Doença: Preguiça, gula, coulrofobia(medo de palhaços), ablepsiofobia(medo de ficar cega)claustrofobia(medo de lugares fechados e multidões)
Vício
: Chocolate,internet e música alta aos sábados.
Importante: Amo aulas de literatura e história.Química?Não,obrigada.
Precisa urgente: De inspiração pra terminar de escrever Estrada e homens sujos.
Compromisso: Nossa!Não,obrigada mesmo!
Relaxante: Sauna.
Saudade: Da minha infância feliz e sem compromisso.Da minha vó Lenita.
Aventura:Minha vida já é uma aventura em si.Cada dia uma coisa diferente.
Lugar ideal: Paris, a cidade dos amantes.
Medo: De ser assaltada de novo.Né Let,cê não tem?
Estação do ano: Nenhuma em especial.Só não gosto dos excessos: muito calor,muito frio.Mas gosto de um dia cinzento e fresco.Nada de sol demais ou chuva demais.
Decepção: Foram tantas e serão tantas.É isso que me entristece.
Mania:Decorar aniversário de todo mundo que conheço(pode apostar que sei o seu).Tomar a benção meus pais,tios e avós,mesmo que isso pareça muito velho e retrô,eu faço.Adoro coisas retrôs,hehe,mas não faço isso por só por gosto e também por respeito.Gostar de solidão,comer gelo e algumas outras que não me lembro agora.
Programão: Qualquer um animado com pessoas que eu gosto.
Defeito: Sou sincera demais,e tô pouco me lixando pro que os outros vão pensar.Se gosto,gosto.Se não gosto e você ama,bom pra você!E não tenho paciência com gente burra ou repetitiva.
Esporte: Dormir,hehe,brincadeira.Handball
Antipatia: De gente metida.

Pois é, isso é um pouquinho de mim,um pouquinho dessa ''menina chocolate''.
H.Reis

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma auto-biografia

Estou lotada de coisas pra fazer,mas ainda assim vou escrever.
Pois vamos lá,sou Helena Angélica Silva Reis(odeeeio esse Angélica,parece nome de personagem de novela mexicana), uma escorpiana que nasceu dia 04/11/1993.Sou mulata, filha de pai negro e mãe branca.Muito extrovertida,falante,exagerada e bem humorada.Sonhadora até demais.Quem me conhece sabe.Mas quem me conhece esta lendo isso só pra ver se descobre mais algum detalhe da minha vidinha,né?Há!
Nasci em uma cidade histórica chamada Sabará,região metropolitana de Belo Horizonte(MG).
Lá vivi durante 15 anos.Agora me mudei para BH.
Sou muito amiga.Sempre estou apaixonada(é impressionante).
Gosto muito de gente.Gente me fascina.Seria capaz de ficar um dia inteiro em uma rodoviária só observando as pessoas,seus traços e jeitos.Tiraria fotos também,pois adoro isso.
Desde pequenina,meu sonho é ser atriz.Minha mãe ficava deixando isso pra lá .Tipo um ''Aham,Claúdia,senta lá!''.Eu fui crescendo,querendo ser tudo,mas o teatro sempre na minha minha cabeça.Até que um dia eu resolvi que iria fazer teatro e cursar a faculdade de Artes Cênicas.Ah,pra quê? Meus pais enlouqueceram,me fizeram chorar e me proibiram de fazer teatro até terminar o ensino médio.Disseram que isso atrapalharia meus estudos e que tomaria muito meu tempo.Chorei o Atlântico mas não adiantou.Desde esse dia esse sonho vem quase morrendo em mim.Fiquei muito triste,realmente.Agora estou tentando abafar o Teatro com o Jornalismo.Que é a segunda coisa que pensava em fazer.Acabou virando a primeira que abafou a outra primeira.Que coisa!Mas parei de sofrer por isso,o que tiver de ser, será.
Amo ler.Leio muito,leio tudo ao mesmo tempo,mas não ao ponto de confundir os personagens de uma trama com os de outra.Escrevo também.Adoro.Comecei com isso numa aula tediosa de filosofia em 2009.Meu professor que me perdoe,mas aquela estava sim muito chata.Comecei escrevendo o Aleijada, que é o último texto desse blog,lááá embaixo.
Amo música também,não vivo sem.Escuto muito MPB.Tenho Chico Buarque como um ídolo,mas também curto os outros artistas como Elis,Caetano,Oswaldo Montenegro,Ivan Lis e por aí vai.Escuto pop também.No momento estou ouvindo muito Lady Gaga.
Tenho 3 irmãos.Léo,Wellington(coitado,imagina pra escrever esse nome quando estava aprendendo a escrever?) e Laura.Tenho duas sobrinhas mais que lindas,Mariana e Isabela.
Pois é,por agora não estou com nada mais de interessante para falar.Nem sei se isso que contei foi interessante,mas enfim...
Beijos de H.Reis