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domingo, 29 de agosto de 2010

Insônia que leva ao sonho

A insônia abateu sobre mim numa madrugada de sábado. Fui então abrir a janela do quarto para o vento puro e sonolento renovar o ar do cômodo marrom.
- Que vida sem graça! Que noite linda! Como sou velho!
Debrucei-me no parapeito da janela na esperança de ver algum bêbado com o relógio atrasado pelo álcool ou algum marido que fingiria ter o relógio atrasado pelo trabalho. Nenhum dos dois tipos passou. Passaram corujas atentas à procura de algo novo; mas corujas não me interessam, oque me interessa é gente, é fala, é pele, é sorriso ou lágrima.
Passaram então, para matar minha sede de gente e acentuar ainda mais minha insônia, alguns jovens alegres e fortes. Faziam barulho de sapatos distintos, de vozes distintas e de idades semelhantes. Deviam estar voltando de alguma festa, de alguma comemoração, e alguns deles traziam vestígios de estarem tontos, alcoolizados; mas nada os impedia de serem lindos, pois eram jovens, sem medo da vida ou da morte, do certo ou do errado. Alguns cantavam , outros se paqueravam , outros só observavam os protagonistas.
Uma loira de cachos rebeldes e olhos reinventados pela lua era a mais eufórica do grupo; dançava com todos, ria para tudo e fazia jorrar poesia na rua. Ela chegou a me ver, acenou. Eu retribuí o cumprimento. Ela então gritou lá de baixo:
- Vem pra cá, vem andar com agente !!!
Eu, sem dizer palavra, fiquei perplexo. Não pensei nem uma nem duas vezes, coloquei meu hobby vermelho, calcei minhas havaianas e desci escada abaixo. Eles me esperavam na mesma farra, sorrindo, cantando e dançando. A loira me pegou pelos braços e me abraçou com emoção. Eu já não entendia mais nada.Não era preciso entender; fomos chegando ao fim da rua e ao fim de minha velhice, pois agora eu fazia parte daquela juventude tão eterna e deliciosamente poética.

H.Reis

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ave humana


Dentro de mim mora um pássaro. Um pássaro com asas e bico está dentro de meu ser. Suas penas fazem carinho e seu bico não me machuca. Seu canto é o brilho dos meus olhos quando penso no amor, quando penso que o amor pode dar certo. Quando ele se cala, minha esperança se afrouxa, deixando murcha a alma presa em minhas veias. A glândula uropigeana do pássaro corresponde ao meu coração, que ao invés da glândula (que secreta óleo para impermeabilizar as penas) produz amor, para tapar os buracos que a tristeza e a solidão deixaram em mim. Vou sobrevivendo desse amor solitário, que até hoje espera um outro pássaro para completar sua metade e fazer dela uma só.

H.Reis

Será que acabou?

Meus queridos seguidores, já devem ter percebido que não escrevo faz mais de uma semana. Isso é lastimável. Mas é o real, e sabe oque eu acho? Que o potinho que eu tinha no qual era colado o rótulo ''INSPIRAÇÃO'' acabou. É, é muito triste, mas tudo que é bom um dia acaba.
Brincadeirinha!!!! HAHAHA
Mas estou mesmo preocupada, minha inspiração fica cada vez mais escassa.
Tinha que desabafar isso aqui, em meu refúgio mais compreensivo.
Isso deve ser fase. Prometo escrever muitos e muitos mais textos para mim e para vocês, pois é isso que me mantém viva; que mantém viva minha vontade de ser melhor, cada vez mais e mais...
Um beijo dessa blogueira que adora vocês de coração,
H.Reis

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Criança é fogo

O espelho

- Mamãe, compra um espelho pra colocar no meu quarto?
-Claro meu amor, também acho que precisa. Vou falar com seu pai e agente vai comprar no sábado, pode ser?
- Aham, ele fez uma cara de contrariado; dava pra perceber que ele queria o espelho naquele dia, se possível.
A semana passou e Edu só falava do espelho. Eu percebi logo a expectativa criada na compra do obejto, fiquei um pouco preocupada mas depois me desencanei, pois, porque uma criança de 6 anos ia se preocupar tanto com um espelho? E ele me falava que não era um espelho qualquer,que era bem diferente dos que tinham lá em casa.
Chegou o tão esperado dia e fomos lá, a família feliz, comprar o espelho e mais algumas coisas que precisava.
Entrando na loja, Edu avistou um funcionário, que ele reconheceu por estar com o uniforme da loja e foi logo perguntando:
- Moço, tem espelho aqui, né? Acho que se o vendedor falasse que não, Edu teria um treco ali na hora.
- Claro que tem, quer que eu te mostre alguns modelos?
Eu estranhei aquela cena; como um vendedor oferece ''mostrar alguns modelos'' de algum produto para uma criança de 6 anos e sozinha? Fui lá acompanhar o precoce. Cumprimentei o vendedor com uma cara de reprovação e fomos ver os tais modelos de espelho. Aquela história já estava me cansando.
Chegamos no local onde ficavam as peças e o funcionário foi mostrando cada uma, Eduardo dizia que não era aquela que queria, e nem aquela ali.
Chegando na penúltima peça à mostra, eu perguntei:
-Mas, meu filho, acho que o espelho que você está querendo não existe. Já olhamos todos, de tudo quanto é jeito e não é oque você quer! Explica pra mamãe como é o espelho que você tá procurando.
Eduardo ficou calado e girou os olhos por toda a loja para ver se encontrava o que queria. Logo depois, os olhinhos negros dele deram um salto e ele disse:
- É aquele ali, mamãe! É aquele ali! Apontou para o teto e sorriu!
Eu não acreditei no que estava acontecendo.
- Mas meu filho, pelo amor de Deus, você quer um espelho para colocar no teto do seu quarto?
Eu já estava constrangida e o vendedor dava risadas abafadas daquilo tudo.
-Onde você viu um espelho desses, Eduardo?
Ele, com os olhinhos ainda saltitantes e brilhosos, disse:
-Ah, mamãe, lembra aquele dia que eu fui brincar na casa do Luiz Fernando?
- Aham!
-Então, agente foi brincar no quarto da mãmãe e do papai dele e lá tinha um espelho desses, bem encima da cama. Então eu também quero um. É legal né?
Criança é fogo!

H.Reis

domingo, 15 de agosto de 2010

Mais que luto...


Um professor, um amigo, um companheiro nosso, Cléber Viana, faleceu; e nós, Letícia e eu, estamos muito tristes e queremos manisfestar essa tristeza. Ele foi uma pessoa que fez diferença na vida de seus alunos; as aulas dele não eram aulas de espanhol ou literatura espanhola; eram aulas de vida e sensibilidade.
Cléber, nunca te olvidaremos!


H.Reis, eterna alumna suya.

sábado, 14 de agosto de 2010

Este Blog é Bipolar

Olá seguidores queridos, o Gota de Limão foi indicado pelo blog da Gabi Morgante , Mundo Platônico, para o selinho: ''Este blog é bipolar''.


Fiquei surpresa e felicíssima com a indicação. Agradeço muito à minha querida colega blogueira Gabi. Seu blog é mais que indicado aqui!
Mas não é só isso ,pessoal. Existem regrinhas. É; tenho que indicar outros blogs e ainda contar dez coisas sobre mim.
Então vamos lá, né? Depois de ter um blog indicado para uma coisa legal, contar dez curiosidades sobre você não deve ser difícil.

1- Sou noveleira. Ah, é genética. Minha avó também é.
2- Sempre rio quando estou nervosa; então, se me contar que alguém morreu e eu der um risinho, não se ofenda.
3- Tudo, tudo o que acontece à minha volta eu tenho vontade de escrever. É tudo poesia pra mim.
4- Amo café, mas nunca tomo puro, só com leite.
5- Meu brigadeiro faz sucesso.
6- Me imagino como professora de Literatura. (?)
7- Odeio estereótipos.
8- Faço amizade muito fácil.
9- Acho Napoleão Bonaparte um charme.
10- Meu filme preferido da infância é Polegarzinha.

Blogs indicados:


Adorei fazer isso, muito obrigada pela oportunidade, Gabi.
E também muito obrigada a todos os meus seguidores. Sem vocês, não tem blog.
Beijos, H.Reis.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A velha mais confusa

Eu sou uma velha que todos pensam que não pensa. Sou ''esclerosada e psicótica''. Esquecem-me na frente da televisão por quase um dia inteiro e vão para seus afazeres. Não percebem nem sabem que vejo e analiso tudo. Reparo que falam de mim, que me julgam. Vejo meu neto se entreter com Machado de Assis e faz ele muito bem. Vejo minha neta de 14 anos conversando ao telefone, dizendo à amiga que o teste de gravidez deu negativo ''graças a Deus''; isso por que ontem mesmo eu a ouvi jurando para a mãe ser virgem. Vejo meu genro enganando a trouxa da minha filha. Vejo nos olhos de minha filha que sente pena e dó de mim; porque agora não sou mais tão ''viva'' quanto era antes.
Para todos, só funcionam os meus olhos. Mas meu cérebro está aqui, mais ativo que nunca, fotografando as mais simples cenas cotidianas. Eu era escritora. Não dá pra acreditar? É, deve ser mesmo estranho ver um texto tão confuso como este e depois saber que foi uma escritora que o ''escreveu''. Não , não escrevi; é meu cérebro que registra. Está mais vivo que nunca. Já disse isso? Pare de ler isto; vá me julgar como os outros. Pense que sou sim uma velha ''esclerosada e psicótica'' que nunca foi jovem. Deixem meu cérebro em paz, pois assim, julgado como ''estragado'' ele pode funcionar sossegadamente.
É, eu disse a tempo a todos: ''É inútil lutar. Deixem-me morrer jovem.'' Mas estou velha e veja como acabei: esquecida em frente à uma tela de comerciais e programas capitalistas. Mas pelo menos me resta meu cérebro.
Ah, esqueça! Você, jovem, nunca entenderá o valor do cérebro na velhice.

H.Reis

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Momento Virginia


''O preço barato do papel é a razão por que as mulheres começaram por ter êxito na literatura antes de o alcançarem noutras profissões.''
(Virginia Woolf) postado por H.Reis

domingo, 8 de agosto de 2010

A máquina que leva e traz

A padaria parecia ter sido a máquina do tempo, pois o casal que saiu dali só poderia ter vindo dos anos 70. Ele, com sua barba e cabelos grandes, blusa negra, magro como a Etiópia, óculos rayban e coturnos. Ela, com uma tatuagem de ombreira, o cabelo preso revoltoso no alto da cabeça, camiseta cinza, calça de ginástica e também os mesmos óculos dele. Se isso é ou não um estilo dos anos 70 eu não sei, mas foi oque me pareceu quando vi os dois.
Passaram debaixo da minha janela sem o menor compromisso com nada, como se estivessem sozinhos num Paraíso muito merecidamente. Riam, davam as mãos e depois as soltavam, como num gesto de esquecimento do outro. Deviam ser namorados, pois a harmonia que os atría remetia isso. Eu, que estava na janela, á toa, só a observar os transeuntes cinzas , olhei-os com certa ternura por passarem ali e deixarem tanta doçura e anos 70 na minha rua e nos meus olhos. Eles se foram do mesmo jeito que vieram, com a falta de compromisso e o esquecimento. E eu imaginei que nunca mais os veria por ali, pois seria muita concidência, não? Mas não foi isso que aconteceu, eles foram e meia hora depois (sim, eu ainda estava na janela) voltaram. Passaram pela rua como se nunca tivessem pisado ali, o tom de novidade era claro nas risadas e olhares. Seguiram o caminho, foram além da padaria e ali devia ser o lugar onde eles retornariam para a década de qual tinham vindo. Tenho certeza que foi ali, foi ali o lugar onde eles encontrariam o caminho de volta pra casa; os anos propícios para aquela doçura e liberdade não eram os meus anos, não era a minha geração. E eles se foram, foram ser felizes num lugar que não existe mais.

H.Reis

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O sono que engana

''My Lady d'Arbanville, why do you sleep so still?
I'll wake you tomorrow
and you will be my fill, yes, you will be my fill.

My Lady d'Arbanville why does it grieve me so?
But your heart seems so silent.
Why do you breathe so low, why do you breathe so low.''

Cat Stevens- Lady D'Arbanville

Eu fiz roçar meus lábios no rosto dela e perguntei mais uma vez porque ela dormia tão imóvel. Ela continuou do mesmo jeito. Fui à cozinha preparar um café para levar-lhe à cama. Fiz de tudo, do mais variado. Levei cuidadosamente na bandeja. Chamei o nome dela bem de leve, bem baixo e suave para que ela não acordasse assustada, pois isso estragaria tudo.
Ela nem fez menção de acordar. Coloquei a bandeja em alguma superfície e fui à cama pra tentar acordá-la novamente. Sua respiração era tão baixa.
- Porque você dorme tão imóvel, querida? Porque respira tão baixo, quase sem me deixar sentir que suga, com suas narinas, o mesmo ar que eu? Isso é maldade. Deveria deixar-me ver seus movimentos inconscientes quando dorme; sua respiração profunda como um suspiro que leva a a alma num instante. Repito : isso é maldade.
Ela respondeu-me. Sim, mas sem nenhuma palavra.
Estava morta, respondeu-me com a morte.

H.Reis

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Morte e Vida Amor

Estou aqui a
Padecer
Morrer,
Não ser,
Não fazer,
Desde que vi que,
Com outra,
Você foi
Viver,
Ser,
E fazer.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ah, você

Ah, eu pensando...
Ah, eu olhando....
Ah, eu amando......
Ah, eu sentindo......
Ah, eu escrevendo......
Ah, eu voando.......
Ah, eu;
Que perigo!!!

H.Reis

domingo, 25 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Momento Delacroix


''O segredo para não ter tédio, pelo menos para mim, é ter ideias.''

Eugéne Delacroix postado por H.Reis

terça-feira, 20 de julho de 2010

Agora. Não depois.

Seja alegre e esteja satisfeito com o que tens todos os dias; e assim estarás sendo feliz.
Isso de ser feliz no futuro é desculpa dos frustrados.
É muito utópico também.

H.Reis

Comodismo

''Fale mal, mas fale.''
''Pense mal, mas pense.''
''Faça mal, mas faça.''
''Leia mal, mas leia.''
Gostas disso de fazer mal, mas fazer?
Eu ainda fico com a velha tese de que o que merece ser feito, merece ser bem feito.

H.Reis

sábado, 17 de julho de 2010

Criança é fogo

O fio dental e o mendigo

Eduardo tinha exatamente cinco anos quando comecei a ensiná-lo a usar o fio dental. Depois de qualquer refeição, lá estava eu pegando no pé do menino:
- Edu, já escovou os dentes? Não esquece do fio dental, tá?
Ele obedecia, como bom garoto que era, mas sei que não gostava da mínima tarefa. Por ele, não passava fio dental, não escovava os dentes e muito menos tomava banho; viveria só de brincar e comer (oque quisesse).
Depois de tanto ouvir eu mandá-lo passar o tal fio, ele já fazia isso sem eu pedir e se bobeasse ainda lembrava os mais velhos de fazê-lo.
- Papai, o senhor passou o fio dental?
E todos adorávamos aquelas cenas. Ríamos internamente.
Certo dia, fui fazer compras no mercadinho do Seu Jaci e levei o precoce junto. Voltando de lá, vimos um mendigo deitado ao sol num meio-fio. Passamos do lado do tal, e ele, bem gracista, abriu um sorriso enorme e debochado para nós. O homem era sujo e sua boca e dentes mais ainda. Eduardo, mesmo com nojo, retribuiu o sorriso. Chegando mais adiante de onde estava o mendigo, Eduardo olha para mim e pergunta:
- Mamãe, sabe aquele moço que riu pra gente lá atrás?
- Sei, meu bem. O que que tem?
-A senhora bem que podia ensinar ele a usar fio dental, hein?

H.Reis

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Momento Florbela


" O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade; sei lá de quê! "

(Florbela Espanca) postado por H.Reis

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Segundos passam...

Solte os cabelos;
chame o vento;
abra as mãos;
crie asas;
feche os olhos
e sinta.
A vida é agora.

H.Reis

Escrever sobre nada

Sentada à bancada da cozinha ela tomava um café quente, comia biscoitinhos variados da Casa do Alemão e lia aleatoriamente crônicas de Stanislaw Ponte Preta. A janela não se deu ao trabalho de cobrar entrada do vento que adentrava ali. E então ela pensou em fechar a janela e parar de sentir o vento das 7:00 da manhã. Desistiu da idéia. Resolveu deixar suas pernas quentes sentirem o fresco. Era um tipo de equilíbrio : a boca fria tomava o café quente, e as pernas quentes tomavam o vento frio.
Lia e ria. Tomava e engolia. Comia e sentia.
Pensava em tudo. Pensou em escrever sobre aquilo. Tudo era razão e motivo para ela escrever. A poesia estava em sua cabeça a todo momento. Nas coisas mais banais e também nas mais sérias e precisas.
Veio escrever sobre isso e agora ela colocará o ponto final e assinará esse texto.

H.Reis

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Frases Aleatórias

Porífero

Sou como uma esponja: absorvo tudo.
Amor,
Fraqueza,
Feiúra,
Beleza,
Drama,
Sabedoria.
Só não sejas falso a meu lado.
Absorverei de ti.

H.Reis

Teatro real

''Fingir é conhecer-se'' Fernando Pessoa
Quero me conhecer realmente, por inteiro.
Está decidido: Quero ser atriz!

H.Reis

sábado, 10 de julho de 2010

Newton e as frutas assassinas

A professora de História chegou na sala. Os alunos estavam inquietos e falantes, barulhentos.
Ela logo pediu silêncio e perguntou oque houvera.
-É que o professor de física acabou de sair daqui dizendo que Newton estava sentado debaixo de uma macieira e uma maçã caiu na cabeça dele. E que com isso ele descobriu a lei da gravidade; respondeu Ana.
-Tudo bem, gente. Mas me expliquem o motivo do falatório. Não entendi ainda a relação do que o professor disse com essa barulheira toda.
André se prontificou a explicar :
-É que, Dona Inês, não faz sentido esse tal de Newton ter descoberto uma coisa tão importante como a gravidade só porque uma maçã caiu na cabeça dele. Pelo amor de Deus, né?
- Então, meninos, ignoremos que aconteceu. Pode ser que seja somente uma historinha para ilustrar, entenderam? Abram o livro de História na página 154.
-Ah não.O Ari disse que aconteceu, então aconteceu; disse Romão só pra botar mais lenha na fogueira e perder mais tempo da aula de História naquela discussão.
-Eu acho que tinha que ter caído era uma jaca na cabeça desse à toa desse Newton. Cara chato. Fica descobrindo coisa difícil pra gente ter que decorar; disse Cassiano.
-Ah, por que não uma melancia bem gigante?
-Huun, eu acho muito mais legal legal mamona, pra espinhar o cara todo.
E agora a discussão sobre ter acontecido ou não o fato de cair uma maçã na cabeça do Físico não era mais interessante para aqueles alunos. Cada um queria dar uma idéia sobre oque devia ter caído da árvore e matado o pobre homem.
OBS: eles inventavam árvores que nem existiam, como a de melancia.
Dona Inês se desfez do seu plano de começar a ensinar nazismo naquele dia. Achou melhor falar que se caísse dois melões na cabeça de Newton, seria mais eficiente. Afinal, ela também odiava Física na sua época de escola.

H.Reis

terça-feira, 6 de julho de 2010

E o destino decide...

Eles haviam saído para jantar, se conhecerem melhor. Riram ,conversaram, tiraram sarro das manias do outro, enfim , se divertiram. Indentificaram-se de primeira. Era fácil sacar que dali viria algo mais sério.
Ela tinha carro, ele não. Ela, por educação ou também por outros interesses, não se sabe ainda, o ofereceu uma carona. Ele,por educação ou também por outros interesses,não se sabe ainda, aceitou.
Foram pela Avenida ouvindo música, cantando juntos, errando e rindo do que não entendiam o cantor cantar.
Chegando no portão da casa dele, ela parou o carro e sorriu. Ele, por sua vez, se sentiu obrigado a perguntar se ela queria entrar.
-E aí? Não quer entrar...tomar alguma coisa?
O silêncio pairou na atmosfera do carro quente.
Ele teve medo de ela o achar precipitado. Mas ele queria que ela entrasse. Queria tomar um vinho com ela; rir mais um pouco; dar um beijo íntimo, escondido. Não queria que ela pensasse que ele era um aproveitador; que se ela aceitasse entrar, ele pensaria mal dela. Nada disso.Ele queria amá-la sem compromisso. Com um quê de amor de carnaval. Mas queria conhecê-la por inteiro. Suas caras e trejeitos. Suas cores e fitas. Seus gostos mais íntimos. Queria começar a amá-la naquela noite, com aquela lua, naquele teto, naquele dia.
Ela, por sua vez, teve medo de responder. Se aceitasse,oque ele pensaria dela? Certamente que era uma mulher fácil demais, dessas que se encontra em qualquer esquina; daquelas que eles viram na Avenida pela qual haviam passado a alguns minutos. Mas ela queria entrar; tomar um vinho com ele; fazer ele rir mais um pouco; receber um beijo mais íntimo, nas entrelinhas. Não queria que ele pensasse que ela era qualquer uma. Nada disso. Ela queria ser amada sem compromisso. Com um quê de amor de natal. Queria se deixar ser conhecida por inteiro. Explicar suas cicatrizes e contar as histórias que imaginava quando criança. Queria ser amada por ele naquele dia, naquele teto, com aquela lua, naquela noite e queria também amá-lo.
O destino, que tem lugar cativo na vida dos amantes,também tinha oque pensar. Pensava que aqueles dois não tinham que se importar com o que um pensaria do outro se entrassem e tomassem alguma coisa. Deviam, com toda vontade e desejo que tinham, começar a se amar naquela noite. Aproveitar a juventude, o riso, a lua e a falta de compromisso.
Ela,depois de muito pensar e parar de se importar com a opinião dele, respondeu:
- Só um pouquinho, sim?
E ele,com um sorriso a responde:
-Como quiser...
E o destino,por sua vez, considera como ganha a batalha e murmura para si, já sabendo de tudo:
- ...

H.Reis

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Cacos de pétalas

Flávia estava sozinha em uma mesa de um restaurante qualquer, tomando um café preto. Lembrava da briga que havia tido com César dois dias antes. Depois da briga ela não tinha mais notícias dele, e nem queria ter. A briga havia sido feia, dolorida, com pedaços de vidros sentimentais.
Na cabeça dela tudo passava como um filme mal feito. Sua mente emergia nas lembranças mas seu rosto não expressava qualquer pensamento saliente. César, apartamento, traição, indiferença, lágrimas, tapas, unhas, chão, fogo, raiva.
De repente entra no tal restaurante qualquer, César acompanhado de uma mulher estranhamente bonita. Ele vê Flávia, olha obscura e detalhadamente pra ela, sem nenhuma reação esperada.
Ela, com toda sua certeza de mulher madura retribui o olhar, mas agora com uma pitada de indiferença aguda.
Ele se sentou na mesa da frente com a tal mulher estranha, mas bonita.
Flávia não aguentaria ver aquilo por muito tempo. Chamou o garçom, pediu a conta, esperou.
E aquilo parecia uma eternidade. César fazia questão de encher sua acompanhante de beijos exagerados, tudo para Flávia ver. E o pior é que ela via e se importava muito. A conta chegou, ela pagou de nariz empinado o que César geralmente pagava. Levantou-se esguia, olhou para o caminho e o obstáculo que a esperavam. Andou alguns passos até chegar perto da mesa onde os dois provocantes estavam sentados. Chegando lá, não perdeu o ritmo e continuou andando como se estivessem sentadas ali pessoas nunca vistas por ela.
Chegou à porta do recinto, abriu-a e pisou no meio fio.
Respirou fundo. Deixou para trás o amor e uma esperança dele. Deixou para trás dois anos e a entrega. Deixou para trás um café preto e uma paixão vermelha.
Esperou pela frente um futuro melhor, mais amável e menos traiçoeiro.Sem cacos de vidros e sim com pétalas no lugar deles.
"E amanhã tem sol."(C.F.A)

H.Reis

sábado, 3 de julho de 2010

Me descrevendo em imagens

Adorei a ideia da Lia, amiga da Tassiane Américo e resolvi fazer também. Isso é só um pouquinho de mim.

Quem sou:
" Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo. "(C.L)


Oque me faz sorrir:


''Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol...''(Z.Baleiro)


Oque me faz chorar:


Minha cor é:

Hobby:



Sonho:



Melhor lembrança:

Eu e minha irmã
no jardim da vó Lenita.
Música é:


O escritor :
''Botas...as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar.'' Machado de Assis

Um filme:


Esporte:


Pecado:


Lembranças fofas da infância:





H.Reis