quarta-feira, 13 de julho de 2011
O preço do tempo
Três pipas? Três sonhos? Não.
As pipas que vão ao céu levam junto os sonhos do meninos
Sonhos bobos amarrados nas rabiolas coloridas
Sonhos que ficam grandes e magníficos ao encontrarem a imensidão
Imensidão nem imaginada na cabeça dos três meninos ou das três pipas.
E daqui há alguns anos? Sabe-se lá onde estarão os meninos, onde estarão as pipas.
Daqui há alguns anos os meninos hão de ter crescido, hão de ter largado as pipas.
E quando passarem, atrasados para o seu serviço, e verem cair, ao seu lado, uma pipa de criança
Os meninos, hoje homens, vêem ali seus sonhos caídos.
Seus sonhos que um dia alcançaram a imensidão do céu da infância
Mas que agora não alcançam nem a sua altura.
H.Reis
domingo, 10 de julho de 2011
Quem?
Se você tem uma casa, um chão de terra e muito amor pra dar
Se você tem a si mesmo, tem a cidade, tem o pó que o carro levanta ao passar devagar
Se você tem olhos claros, negros, ou indecisos
Se você tem olhos quaisquer para ver minha beleza inexistente
Se você tem nariz grande, fino ou indeciso
Se você tem um nariz qualquer para sentir meu corpo-cheiro
Se você tem lábios grossos, retos ou divididos
Se você tem lábios e língua pra dizer que me ama.
Se você é esse alguém...
Não tenha dúvidas.
É com você que eu vou ser feliz pra sempre.
H.Reis
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Imposição
Eu o inventaria
Eu o faria importante
Eu o faria infinito.
E fim.
H.Reis
terça-feira, 28 de junho de 2011
Poesia Involuntária
A sola do pé virou poema,
E a menina, poetisa.
H.Reis
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Poema-Perdição
Nada disso.
Seria eu uma inspiração para uns próximos poetas.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Desabafo de uma Louca
Se te amo, amo por excesso, nunca por falta ou perda de um pedaço do meu sentimento, pois eu sei exatamente onde ele se encontra.
O Sofá Amarelo
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Momento Graciliano

sábado, 4 de junho de 2011
Imersão
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Momento João Cabral

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.
Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.
É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.
Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.
Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança
Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.(João Cabral de Melo Neto influenciado por Carlos Drummond de Andrade)
Postado por H.Reis
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Felicidade
Solta pipa, compra pipoca, vê menino correr perigo.
Carro vem, carroça chega e se encontram na esquina.
O dono do carro diz:
‘’Ô, sangue bão!’’
O carroceiro responde:
‘’Ô, meu irmãozinho!’’
E seguem a vida em frente na estreita estradinha.
Pé no chão, nas pedras da rua principal,
E o menino corre de baixo a cima, de cima a baixo;
Vendo sua pipa cair,
Vendo a menina bonita passar,
E a vida passar junto com ela.
E assim já perdeu a pipa,
Mas a menina continua lá,
E a vida mais viva ainda está
Na cabeça e no coração do menino.
A menina bonita que passa
Sente o vento lamber os cabelos
E as pernas que o pai não deixa mostrar.
Mas as pernas são exteriores;
Sentem as delicias das ruas,
Mesmo que dentro das saias.
- "Papai não sabe de nada!"
A dona de casa saiu da feira,
E vai passar na costureira
Pra encomendar vestido pra filha mais velha que vai se casar.
A dona de casa vai fazer a festa
Feijoada, torresmo, doce de leite
E pra beber? Cachaça ardidinha que não há melhor
Pra festejar? Não o casamento
Casamento é pretexto.
Vamos festejar o carro, a carroça
O menino, a pipa
Vamos festejar a menina, as pernas, as saias
A dona de casa e seu amor pelo amor
Vamos festejar a vida que sopra no coração dessa cidade pequena.
domingo, 8 de maio de 2011
Momento Adélia
sábado, 30 de abril de 2011
Tudo joia?
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Momento Quintana
terça-feira, 26 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Com todo respeito, Manuel Bandeira

É quem escreve versos livres
Rimas ricas mas não aparentes.
É quem não liga pra falta de eira ou beira
É Bandeira.
E é por isso que a partir daqui serei como ele
Livre, leve, solta, veloz ou devagar...
Imitando Bandeira.
Cidades reais ou imaginárias
São por ele (re)criadas e contadas
Com a maestria de um Deus da geografia poética
Com a sensibilidade de um Deus da poesia geográfica do coração.
É Bandeira.
É quem faz versos como quem morre, como quem vive, chora ou sorri.
E se uma lágrima cair e borrar a caneta? E daí?
Será ainda a mais autêntica e original poesia
De Bandeira
É quem me encanta, me canta, me acorda e até me faz dormir
E nas letras de sua poesia faz subir ao céu e brilhar pra mim a Estrela da Manhã
Que virá a se abaixar só em Pasárgada
Com Bandeira
(como Bandeira)
É que brilha no céu do meu olhar, Poeta Favorito
E como se me conhecesse há séculos
Descreve-me sempre e revela a todos os meus segredos em massa
Mas tudo bem, não me importo
Tens comigo carta branca,
Pois és simplesmente meu Poeta Favorito novamente,
Imortal e Querido Bandeira.
H.Reis em simples homenagem aos 125 anos que Manuel Bandeira estaria fazendo hoje.
sábado, 16 de abril de 2011
Ode à ''Não Ida à España''
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Sonho Ladrão
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Simultaneidade de Bandeira Oculta
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Ambiguidade Clássica
quarta-feira, 30 de março de 2011
Momento Bandeira

Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.

