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domingo, 16 de maio de 2010

Ela

Ela gostava de tomar banho à tarde, quando não era necessário acender a luz do banheiro,pois o sol iluminava tudo, além de aquecer.
Gostava de admirar seu corpo nu diante do espelho,aquilo lhe fazia até bem.
Um corpo adolescente, cheio de curvas, vida, cor.
Gostava de atrapalhar seu cabelo e se sentir um pouco selvagem.Um pouco Maria Bethânia ou Gal.
Sua barriga lisa e morena era a parte de seu corpo que ela mais gostava.Aquele orifício que o alimentara durante 9 meses,há 16 anos atrás, era bem curado pela mãe e bonito também.
Se sentia magra e sadia.Mas gostava de engordar às vezes,aquilo a fazia sentir viva.O poder de mudar sua forma.
Seu nariz nem um pouco convencional não era igual ao de ninguém,nem uma mescla da mãe e do pai.Era o seu nariz.Estranho mas único, só dela.
A boca cheia, carnuda e vermelha era sensual.Quando sua língua fazia pressão sobre ela,a cor ficava mais acentuada e rara.Era a segunda parte mais chamativa de seu rosto.
Mas seus olhos eram indescritivelmente lindos.Eram olhos cheios,cor de mel bem escuro.Não chegavam a ser pretos.Era um enigma.Ela até o tentava descobrir,mas quando ficava na frente do espelho olhando para dentro do olhar de seus olhos, se voltava tonta.E isso a fazia ficar nervosa.Não poder desvendar seu próprio mistério.
E assim ela continuava a viver.Se admirando, tentando se desvendar , ficando brava.E acabava sempre por descobrir que era apaixonada por si mesma.

H.Reis

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Chocolate.Água.Pimenta.

Coisas que sempre se necessita,e isso te tormenta.

Coisas que como o amor fraternal, maternal é impossível viver sem.

Coisas que só se dá valor quando não mais se têm

É como o ar.Coisa tão banal ,tão real e tão..fatal!

H.Reis

domingo, 9 de maio de 2010

Futebol das Letras

Outro dia estava eu com meus neurônios e tivemos uma ideia: escrever é como treinar um time de futebol.É, faz algum sentido.As palavras são os jogadores,o campo é o espaço em que se escreve,o texto é a partida e o escritor é o treinador.
As palavras são primeiramente escolhidas,depois classificadas e cada uma tem seu lugar,o lugar onde melhor se encaixarão para realizar suas funções.
O treinador sofre, pensa,se cansa para colocar todos os jogadores no lugar certo e fazer com que cada um deles realize melhor seu trabalho.Essa é também a tarefa do escritor, mas com suas palavras.
Então meus neurônios e eu nos perguntamos: Quem ganha?Como se ganha?Quem é o adversário?
E respostas não vinham.Acabamos, por falta de resposta, chegando à conclusão de que sempre o time literário ganha,pois as palavras ainda não tem adversário à sua altura.

H.Reis

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Metamorfose


''...contra ao vento , sem lenço sem documento, no sol de quase dezembro'' ela não ia.Ficava estática na medida que podia (o máximo) sentir que estava completa de si mesma e sem nenhum vestígio ou restício dos outros.Ela queria,naquele momento, independer de qualquer coisa que fosse alheia ao seu corpo, à sua alma, ao seu espírito.
Uma borboleta passava e ela fingia não perceber,mesmo sabendo que a borboleta,era, naquela fase de sua vida,o inseto que mais se parecia consigo.O ar límpido e invisível a ajudava perceber o que ela era: uma coisa que ninguem percebe que está ali,mas está em sua presença mais profunda.
Aquele sol que corava sua pele era o único indício de vida(para ela)que estava totalmente estático.Mas como não parou para pensar que ela e aquele tal Sol se moviam simultaneamente, continuou com esse pensamento.E foi assim,o momento de Elisa, para Elisa,o momento que ela nunca mais haveria de esquecer,pois foi nele que ela percebeu que não era nada sem os outros.Nem que esse outro fosse uma mera,minúscula e linda borboleta.
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H.Reis

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Receita

Pegue essa inspiração,um lápis e um papel e mete-os uns nos outros!

Frase de H.Reis para um amigo que estava realmente inspirado no dia e não queria escrever,colocar no papel toda essa inspiração.H.Reis tinha de fazer alguma coisa,incentivar seu amigo a escrever as proezas que estavam em sua mente naquele exato momento.E então,foi aí que saiu de algum de seus neurônios falhos essa frase,da qual seu amigo gostou muito,se identificou e resolveu até fazer um blog para si.
Final feliz.
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H.Reis

sábado, 24 de abril de 2010

Sonho versus Pesadelo

Como viver assim,esse amor dilacerado
Se tu existe só pra para minhas rosas pálpebras?
Quando adormeço,te encontro.E é certo.
E me chamam de malandro, preguiçoso, por querer viver esse amor em sonho.
Amor que acabará virando pesadelo,
Se tu não existir para minhas pupilas ardentes.
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H.Reis

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Recomendo



Mulherzinhas nos convida à inteligência, que hoje está fugindo, à juventude perene desses jovens do século XIX, cujas aspirações essenciais podem ser reconhecidas nos jovens de sempre. Livro clássico para ser lido e guardado. Com ele a avó presentear a neta, a mãe a filha, todos se presentearem mutuamente, amigos a amigos, com essas adoráveis mulheres.
Um livro de Louisa May Alcott

domingo, 18 de abril de 2010

Meus quês

Um quê de melancolia me ataca,ma rebate.
Um quê de alegria desata em minha alma.
Um quê de mim some nessa imensidão de dúvidas.
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H.Reis

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Helena



Helena.
O nome que levo comigo.
Que minha mãe escolheu.
Que Deus me deu.
Me consagrou como ela.

Orgulho e responsabilidade de levar seu nome.
Guerreira maior não há.
Amante maior não há.
Beleza não há maior.

O tom que soa para mim.
Um tom mais que suave e misterioso.
Um tom sombrio que carrega séculos.
Um amor por ela que todos levam consigo.

Helena de Tróia, a mais bela e mais amada das filhas de Zeus.
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H.Reis

domingo, 11 de abril de 2010

Um jornal de domingo


Sempre sonhei em ter um companheiro para ler o jornal na manhã de domingo comigo.Comentar os erros,as notícias ruins e as pernas torneadas das modelos que posam.Não precisa ser necessariamente um companheiro homem,nem mulher,velho ou novo.Meu cérebro me basta.
H.Reis

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O sono



Um dia sem nada.
Um sem ninguém.
Um dia sem mim.
Um dia com sono.
Mas peraí,o sono é alguém!
Alguém que na maioria das vezes dorme comigo.
Alguém que eu sempre espero depois do almoço.
Alguém que às vezes acorda comigo, me acompanha o dia todo,e vai dormir comigo novamente.
É,ele é um bom companheiro.
Quando às vezes acordo sem ele, nem sinto sua falta,e até acordo mais feliz.
Mas não me preocupo muito,pois sei que uma hora ele volta.
E eu só estarei sozinha quando quiser.

H.Reis

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Lamentar, oque não adianta nada.


Lamento não ser mais criança.
Não saber as coisas que sei agora.
Saudade de acordar cedo doida pra brincar e ter horror em pensar em dormir mais.
Saudades de não conhecer a dor de magoar seriamente minha mãe.
Saudade de quando minha mãe me mandava ir dormir.
Saudade de não saber oque é menstruar.
Saudade de não entender porque as pessoas morrem.
Saudade de não saber como se sofre por uma pessoa.
Saudade das coisas mais banais e de não saber como são as mais complexas.
Por isso esse texto mescla coisas simples,que chegam até a serem ridículas, com coisas de extrema importância e emoção.
Saudade de não saber escrever.
Saudade de saber escrever só B A =BA.
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H.Reis

domingo, 21 de março de 2010

Descoberta inesperada

Aroldo havia acabado de chegar em casa numa tarde de terça-feira chuvosa e cinzenta.Agradava muito a ele dias assim. Sua mulher na cozinha,lágrimas nos olhos de cortar cebola.Ela era tão bonita.Naquele dia não estava tão aflita como na canção de Caetano.
Três filhos,três orgulhos,três alegrias.
A mais velha ainda descobrindo a adolescência.Havia menstruado a poucas semanas.Se descobrira moça.
O do meio era sem dúvida o mais sabido.Curioso,mente sadia.O maior orgulho do pai naquele momento. Pois o menino era bastante levado também.
O mais novo. Nem três anos ainda.Estava começando a aprender a falar direito mas ainda trocava o R pelo L.
Sua esposa, a mais doce e nervosa das criaturas era jovem, bonita e evitava discussões com ele.
Ele. E ele?
Aroldo sentou – se na mesa e ficou por ali esperando o almoço. Cada um de seus filhos veio à mesa de uma maneira. Cada um com seu jeito especial,único e ainda infantil(isso o agradava de um modo bastante profundo).O mais novo vinha no colo da mãe, que ainda estava de avental. Ela carregava o filho com tanto carinho, o enchia de beijos e mordidinhas na bochecha.
Aroldo se viu naquele ambiente tão acolhedor, familiar e feliz, que observou como se aquilo fosse um quadro em que o que estava dentro se mexia,tinha sentimentos e emoções.
E Aroldo descobriu que era feliz. Descobriu isso naquela terça-feira chuvosa e cinzenta,da qual ele gostava tanto.
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H.Reis

segunda-feira, 8 de março de 2010

Aleijada



Estava cega.
É verdade, o amor alucina.
Estava tudo na minha frente.
Mas parecia que meus olhos se translocaram para as costas.
É, parecia não, foi um fato, se translocaram mesmo.
Avisos,conselhos, obviedades todas vinham, mas meus ouvidos seguiram os passos de meus olhos.
Eu farejava o perigo, e meu nariz se foi também.
Com o sabor agridoce, eu queria sentir apenas o doce dele,e com isso ignorava meu paladar.
No final eu já estava desfigurada.
Sem olhos,ouvidos,nariz ou boca.
Tudo se foi.
Ele se foi.
Como recuperar as partes perdidas?
Como recuperar a mim mesma?
Eu era nada.
Apenas um rosto sem expressão
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H.Reis